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Uma vida (quase) ordinária

Updated: Dec 5, 2022


O sol também parecia ter acordado com preguiça junto com Iza que até agora não tinha saído da cama, seus pensamentos sequer estavam ali, mas seu corpo parecia imóvel com os olhos fixos na cortina dançando com o vento na janela, ela parecia viajar entre tempos e momentos que talvez só existissem na sua cabeça. Ela se espreguiçou com um bocejar longo e de olhos fechados, começou seu alongamento ainda na cama, ela parecia especialmente macia naquela manhã de início de outono.

Seus pés quase tocando o chão giravam de um lado pro outro, ela se levantou devagar pois manhãs nunca foram o seu forte, apesar de achar lindo ver o dia nascer ela nunca amou se levantar cedo. De repente um bip, bip de mensagem no celular a deixou de sobrancelha em pé, quem lhe mandaria mensagem àquela hora da manhã. Iza nunca foi uma pessoa curiosa, por isso sequer pegou seu celular na verdade passou direto por ele como um sinal de quem diz, nossa você não acha que é cedo demais pra incomodar alguém ?

Ela não estava em um dia que quisesse se arrumar tão bem e estava quase preferindo uma roupa mais confortável e menos arrumada, mas sabia que quando tinha esses dias precisava arrumar muito mais o seu exterior pra conseguir lidar com o seu interior. Então colocou uma roupa All Black e tênis All Star branco, colocou um lenço estampado com um fundo laranja no pescoço, pegou sua mochila de sempre e foi direto até a sala, pegou suas chaves, abriu a porta e logo se lembrou que deixou o celular do lado da cama.

Voltou depressa para pegar e saiu logo em seguida. Iza gostava do Vintage Café que tinha a duas ruas do seu prédio, era aconchegante e o café abraçava sua alma assim como quem dizia que a amava, isso lhe trazia alegria mesmo que fosse apenas imaginação. Ela costuma trabalhar pela manhã por ali mesmo sentada em uma pequena mesa isolada no andar de cima do café em um canto com paredes totalmente de vidro, era seu pequeno refúgio contra o resto do dia.

Ela abriu seu notebook, ligou com toda calma, conectou seu app de mensagem e bum! Seu olhar bateu direto naquela mensagem, sim aquela mensagem que tinha chegada pela manhã. Seu coração foi até a boca e voltou, mas ela se perguntava o porquê daquele sentimento surgir de repente quando ela não sentia nada por ele, ele que enviou a mensagem.

- Oi, tudo bem?

- Você é normal? Era bem isso que Iza queria responder, mas acabou dizendo.

- Tudo e você? Assim seca e sem expressar qualquer emoção que pudesse transparecer que ela sentia falta dele todos esses anos.

Ela sabia que se ele notasse qualquer sombra de paixão da sua parte usaria isso para quebrar seu coração mais uma vez depois de tantas. Ela começou a trabalha tendo a certeza de que não iria conseguir se concentrar em nada, mas na esperança de que isso não fosse verdade, afinal Leo não poderia atrapalhar sua vida mais uma vez e justamente agora quando tudo parecia estar dando errado.

Ela pediu uma moccha e pão de queijo, começou com um esboço para o cliente da semana do que deveria ser uma apresentação que não deixasse escolha a não ser dizerem Sim para sua nova ideia, mas Iza tinha certeza de não poderia entregar um trabalha tão confuso como aquele, como os pensamentos que fazia sua cabeça girar.

Era como antes só que ainda pior porque ela acreditava que tinha mudado, mas depois daquela simples mensagem mexer tanto com suas emoções e sentimentos que não deveria mais existir ela não queria acreditar que nunca se conheceu de verdade depois de tudo o que ele fez, depois de tudo o que tinha passado.

Bip, bip. Não pode ser, não pode ser ele. Ele sempre demorou dias pra me responder. No fundo Iza queria que fosse ele, mas tinha certeza de que não era, isso ele nunca teve, pressa de responder suas mensagens. Com o coração apertado e desejando sem querer sonhar com uma história de amor não correspondida falida a muito tempo, ela foi até a página conferir se algum cliente tinha alguma dúvida sabe, não queria ver mensagens dele, até porque não era ele.

É ele. Sua cabeça explodiu de perguntas, seu coração batia tão depressa que ela pensou estar tendo uma crise de ansiedade. O que não deixava de ser, ele nunca tinha respondido tão rápido a uma mensagem de declaração sua muito menos uma tão fria e vazia.

- Entendo se as perguntas não pararam de surgir na sua cabeça eu mesmo não entendo o que estou fazendo, mas será que podemos nos ver?

Entende, será que entende mesmo. Iza se questionava se era uma boa ideia vê-lo de novo, depois de tudo, tudo o que aconteceu entre eles. Ou tudo o que não deveria ter acontecido. Ela não queria sonhar com o seu sorriso que àquela altura já não saia dos seus pensamentos, ela tinha certeza de que seria uma péssima ideia. Ela não queria acreditar que aquele dia estava acontecendo, ela não sabia se deveria chamar de sonho ou pesadelo. Ela fugiu, fugiu do sentimento irreal e do sonho impossível que é sonhar com alguém que não te ama. Quem sabe eu o responda semana que vem.

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